Em Portugal, estima-se que cerca de metade da população adulta tenha excesso de peso e que quase um milhão de pessoas viva com obesidade. Este problema de saúde pública é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma verdadeira epidemia, devido ao seu impacto negativo na longevidade e na qualidade de vida.
A obesidade não é apenas uma questão estética. Trata-se de uma doença crónica que aumenta significativamente o risco de desenvolver ou agravar várias patologias, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.
Como se define a obesidade?
A obesidade caracteriza-se por um excesso de tecido adiposo (gordura) em relação à massa magra, que inclui músculos, ossos e órgãos. Quando esta proporção é alterada, o equilíbrio metabólico pode ficar comprometido, afetando a saúde de forma global.
Do ponto de vista da distribuição da gordura corporal, distinguem-se dois tipos principais de obesidade:
Obesidade ginoide: apresenta um padrão de acumulação de gordura predominantemente abaixo da cintura, conferindo ao corpo um formato em “pêra”. É mais frequente nas mulheres e está associada a menor risco cardiovascular, mas pode favorecer problemas como varizes e doenças articulares.
Obesidade androide: caracteriza-se pela acumulação de gordura na região abdominal e parte superior do corpo, resultando num corpo em forma de “maçã”. É mais comum nos homens e está fortemente associada a um maior risco de diabetes, hipertensão, aterosclerose e doenças cardiovasculares.
Quais são as principais causas?
A obesidade resulta, na maioria dos casos, de um desequilíbrio energético, ou seja, quando a ingestão de calorias é superior ao gasto energético diário. As calorias em excesso acabam por ser armazenadas sob a forma de gordura corporal.
Este processo está frequentemente associado a:
Estilos de vida sedentários;
Alimentação rica em açúcares simples, cereais refinados e gorduras saturadas;
Hábitos alimentares desorganizados.
No entanto, a obesidade tem uma origem multifatorial, podendo envolver fatores genéticos, metabólicos, ambientais, bem como influências psicológicas, comportamentais e culturais.
Como é feito o diagnóstico?
O método mais utilizado para avaliar a obesidade em adultos é o Índice de Massa Corporal (IMC), calculado através da fórmula: peso (kg) ÷ altura² (m). A classificação é a seguinte:
Excesso de peso: IMC ≥ 25
Pré-obesidade: IMC entre 25 e 29,9
Obesidade: IMC ≥ 30
Classe I: 30 – 34,9
Classe II: 35 – 39,9
Classe III: ≥ 40
Outro parâmetro relevante é a circunferência da cintura, que ajuda a avaliar o risco cardiovascular:
Mulheres: ≥ 88 cm
Homens: ≥ 102 cm
Valores acima destes limites estão associados a maior risco de complicações metabólicas e cardiovasculares.
Tratamento da obesidade
O tratamento da obesidade passa sempre por uma mudança sustentada de hábitos, incluindo:
Reeducação alimentar;
Adoção de um estilo de vida mais ativo;
Controlo das doenças associadas, como diabetes e hipertensão.
Nos casos de obesidade grave ou quando as abordagens conservadoras não são suficientes, podem ser considerados procedimentos médicos ou cirúrgicos, como a cirurgia bariátrica (sleeve, bypass, minibypass, switch duodenal, SADI-s) ou a colocação de balão gástrico.
O sucesso do tratamento depende de uma abordagem multidisciplinar, que pode envolver médico de família, endocrinologista, nutricionista, psicólogo ou psiquiatra do comportamento alimentar e cirurgião.
Como prevenir o excesso de peso e a obesidade?
A prevenção passa, sobretudo, por manter um equilíbrio entre o que se ingere e o que se gasta diariamente. Algumas recomendações importantes incluem:
Seguir as orientações da Roda dos Alimentos, privilegiando uma alimentação variada, rica em legumes, fruta, cereais integrais e peixe, e pobre em açúcar e gorduras saturadas;
Conhecer o valor nutricional e calórico dos alimentos consumidos;
Fazer refeições regulares, a cada 3 a 4 horas, evitando períodos prolongados de jejum;
Iniciar as refeições principais com sopa de legumes, sem batata;
Manter-se fisicamente ativo, escolhendo atividades prazerosas e adequadas à rotina diária;
Procurar acompanhamento profissional sempre que exista excesso de peso.
Fontes científicas
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight
https://www.dgs.pt
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30814686/
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24222017/